Medo de comprar remédio pela internet: pesquisa mostra desconfiança do consumidor brasileiro

Publicado em 27 de agosto de 2026 | Categoria: Notícias

Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) ao Instituto QualiBest revelou que a maior parte dos brasileiros ainda vê com desconfiança a compra de medicamentos pela internet. O levantamento mostrou que 69% dos consumidores têm receio de adquirir medicamentos falsificados pela internet, e 85% dos entrevistados atribuem às plataformas de venda online a responsabilidade pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.

A pesquisa ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos no domicílio, com hábito de realizar compras pelo menos uma vez a cada três meses, em entrevistas feitas entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país.

O receio de falsificação não é o único apontado pelos entrevistados. 59% temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada, e 54% citam o risco de adquirir produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Diante desse cenário, a pesquisa mostra que a população não abre mão do papel da farmácia licenciada mesmo diante da digitalização do setor. 82% dos pesquisados defendem que a venda digital deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia física licenciada.

O contexto regulatório por trás da pesquisa

O levantamento ganha relevância num momento em que o setor discute os limites da venda digital de medicamentos. A Lei nº 15.357/2026 passou a permitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico exclusivamente para fins de logística e entrega de medicamentos ao consumidor, desde que cumprida a regulamentação sanitária aplicável.

Segundo a Abrafarma, porém, a mudança na lei não abre as portas para venda irrestrita em qualquer canal. O CEO da entidade, Sérgio Menna Barreto, destacou que a compra online de medicamentos está condicionada à existência de regras claras, responsabilização e supervisão profissional, e não apenas à conveniência do canal. A Anvisa, por sua vez, reforça que a mudança legislativa não libera a venda direta por sites comuns nem afasta as exigências sanitárias, dependendo de regulamentação detalhada antes que qualquer nova modalidade passe a operar.

O que isso significa para o consumidor do DF

Os números da pesquisa confirmam o que o Sincofarma-DF já vem reforçando aos associados: a farmácia licenciada segue sendo, na percepção do próprio consumidor, o canal mais seguro para a compra de medicamento. Orientação farmacêutica, controle de receita e responsabilidade técnica são exatamente os pontos que diferenciam o estabelecimento licenciado de qualquer plataforma digital sem vínculo com uma farmácia física.

Na dúvida, o caminho mais seguro continua sendo o mesmo: a farmácia ou drogaria licenciada mais próxima.

Foto: Reprodução

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